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quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Adeus




Olá pessoal!

As pessoas que me conhecem sabem que eu tenho o péssimo hábito de não terminar várias paradas que eu começo. Estou escrevendo aqui hoje pra avisar ao caro amigo leitor que vou fazer isso mais uma vez.

Aos que ainda visitavam aqui o blog, adiós. Não voltarei a postar aqui e, no momento, em nenhum outro lugar. Os Pontos de Vida do aprendiz acabaram.

Quem conhece a minha história de vida sabe que eu já sou um pouco calejado no quesito tomar porrada da vida. Não que eu tenha uma vida ruim, ou que eu passe fome, ou sofra bullyng, ou que torça pelo Fluminense e tenha assistido à jogos da terceira divisão no Maracanã (tá, a parte do Fluminense é verdade).

A maioria das pessoas tem que enfrentar seu primeiro problema quando gosta de uma menina e tem vergonha de se declarar, ou então fica cheia de dúvidas sobre que rumo tomar na vida, ou coisas assim.

Meu primeiro desafio foi ficar vivo.

Eu tive uma doença em que, na época, a taxa de sobrevivência era de 1 em 1 milhão. Ninguém achava que eu ia sobreviver. Só eu. Eu tinha certeza, e falava pros meus pais que ia dar tudo certo. Eu só tinha 3 anos, mas eu sabia que ia dar tudo certo.

Meu pai me diz que isso forjou meu aço logo cedo. Eu penso que ainda não sei se já sou aço verdadeiro, que se molda, flexiona, corta, resiste e não quebra, ou se ainda sou ferro, que é rígido e ao invés de dobrar, trinca e se parte. Só sei que esse problema foi meu primeiro batismo.

Fui fazer faculdade de medicina porque eu queria ajudar as pessoas. Não me decepcionei. Apesar de um milhão de problemas que o sistema de saúde tem no país e de algumas pessoas que insistem em fazer besteira e manchar a profissão, cada pequena vez que eu ajudei alguém, que eu fui útil pra um paciente, que eu segurei a mão de alguém que sentia dor, já valeu. E ainda haverão muitos outros momentos assim, eu espero. Só que eu me deparei com alguns problemas no percurso. Normal, todo mundo tem os seus.

Eu realmente detesto a comparação da medicina com um sacerdócio, mas parece que isso está intrincado na mente do mundo. Médicos são vistos como criaturinhas diferentes, e eu tou muito cansado de ser diferente. Tenho uma perna menor e mais fraca que a outra, sequela da minha doença de moleque. Tinha mais grana do que a maioria dos meus amigos que estudavam na escola pública que eu estudei. Sempre precisei estudar pouco pra tirar notas boas e aprender. É foda ser visto como diferente, quando levantam uma parede invisível que te separa dos outros. Tudo o que você gostaria era a aceitação, e todo gamer sabe que parede invisível tira foda a imersão.

Estou cansado de ser visto como diferente, mas acho que me acostumei. Melhor se acostumar, aliás, se não quer desistir da medicina. Mas não deixe que o senso comum norteie seus pensamentos. Sim, alguns sonhos vão ter que ficar pra trás para que outros se realizem ou venham a ser sonhados. Mas não desista do fundamental. Alguns desejos seus são o que te define, e não se deve abrir mão desses.

Eu amo escrever e desenhar. Faz parte do que eu sou. Adoro fazer várias outras coisas, como jogar games, card games, ficar de bobeira e fuçar a internet. Nada de errado com isso. Mas, contudo, todavia, entretanto, eu tenho errado em escolhas e no meu caminho.

Como me disse uma pessoa muito sábia, sou irresponsável, não sou asseado, sou desorganizado e não dou valor ao que ganho. Minha personalidade e caráter são erros que foram cometidos por mim e por quem me educou. Não tenho iniciativa, não sei resolver meus problemas com presteza e vou apanhar muito da vida quando precisar me virar sozinho.

Ouvir isso teve um lado bom e um ruim.

O ruim é que é verdade. Sou mesmo uma pessoa ruim, embora não concorde com tudo o que foi falado, a maioria está correta. É foda dar de cara com vários dos seus defeitos, jogados na sua cara de uma vez só e não ter o que responder.

O bom é que encheu meu peito. Preciso mudar. Muito. Preciso me dedicar ao que merece dedicação e ao que vai me trazer retorno para levar adiante meus planos.

É por isso, meus queridos leitores, que vou ficar fora de circulação da internet por um bom tempo. Amo escrever, mas preciso estudar, vou começar a trabalhar em 2012 e, se tudo correr bem, em alguns anos eu posso voltar a criar histórias e contos (e, quem sabe, finalmente escrever meu livro).

Agradeço muito mesmo ao apoio daquela meia dúzia de pessoas que vinha aqui, lia o que eu escrevia, comentava, falava comigo na faculdade ou no msn/skype/facebook sobre o que estava aqui no blog. Obrigado mesmo galera. Cada um de vocês (seis ou sete, rsrsrs) vai estar sempre comigo, me dando força mesmo sem saber, e multiplicando a energia que eu estarei empregando na vida.

Eu já passei por um batismo onde o ferro foi moldado. Agora tá na hora de forjar meu verdadeiro aço.

Um abraço enorme para todos vocês. Enorme mesmo. Não vai ter próxima batalha aqui. Não dessa vez.

E adeus.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Histórias da Taverna



Olá Pessoal!

Como vão as senhoras e os senhores? Eu vou indo, com o tempo bizarramente escasso e dividido entre estudar feito um condenado, desenhar, jogar PS3, RPG e alimentar meu novo hobbye (vício), Magic the gathering.

Anyway, hoje eu vim falar sobre um bloqueio que eu tenho. Uma dificuldade enorme em escrever histórias com protagonistas femininas.

Então, sob influência (ou quase intimidação) de meu grande amigo Rafero, eu vou escrever um pequeno arco de um prólogo e cinco capítulos com uma protagonista feminina!!

Ah, sim, cá está o concept art que inspirou a protagonista (e seu fiel companheiro).



Yupi!!

Fiquem agora com a introdução!

Grande abraço e até a próxima batalha!

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OmniField - Prólogo

O ser de pura energia lhe guiava pelos túneis labirínticos da USS Shanbara. O cruzador espacial estava em meio à uma abordagem, e as centenas de naves classe Berserker atacavam sem cessar. Pequenos caças Kindred partiam para interceptar os saqueadores, mas era tarde demais.

A USS Shanbara, maior cruzador de Arkoria, seria destruído.

A tenente Valerian seguia a forma luminosa. Corria com toda a força de suas pernas aliada aos servomotores de seu exoesqueleto. Tinha uma missão e ela precisava ser cumprida. Agarrou-se à uma pilastra quando um abalo do cruzador ameaçou atirá-la ao chão. Com um movimento fluido pôs-se novamente em carga. Atravessou um cruzamento onde dois soldados jaziam mortos no chão e viu um oficial de alta patente encolhido de medo em um canto, aguardando a morte.

Valerian não podia se dar o luxo de sentir medo, não naquele momento. Chegou ao refeitório e continuou em alta velocidade, saltando por cima de uma das mesas que, tombada, obstruía o caminho. O ser de luz agora estava quase fora do alcance, flutuando sobre as escadas que levavam ao mezanino que, segundo ela lembrava, conduziria ao átrio.

Subiu as escadas galgando os degraus de três em três. Ouviu uma explosão à distância, e soube que lhe restava muito pouco tempo. Alcançou o átrio a tempo de ver a forma luminosa atravessar uma porta metálica. Apressou-se até a porta e, na pressa, chutou-a com força, quebrando a tranca e escancarando-a. Mais uma vez os servomotores de sua armadura classe A.M.A.Z.O.N.A. se mostravam versáteis e muito úteis.

Dentro do aposento, o ser de luz flutuava sobre um leito. Nele jazia a filha do rei de Arkoria, Helena. Valerian não poderia deixá-la para trás. Caminhou até a menina e a ergueu nos braços. Sorriu ao ver que estava sem ferimentos, apenas entorpecida, ainda, pelo sono de estase. Isso seria facilmente resolvido.

Ouviu passos se aproximando pela porta arrombada. Virou-se. Encarando-a estava uma criatura de metal e carne, um cyborg S.A.W. que se aproximou em fúria. Os dedos das mãos eram lâminas que se moviam como serras circulares. A boca, um universo de espículas afiadas. O golpe foi desferido e Valerian foi acertada no ombro esquerdo. Poderia ter se desviado facilmente, mas não quis expor Helena ao risco de ser ferida. O ser luminoso flutuou e circundou o cyborg em um halo, enquanto a tenente sacou sua arma e disparou quatro vezes. Quatro projéteis certeiros, que foram se alojar dentro do crânio do Cyborg.

Valerian correu pelos corredores, novamente guiada pelo ser de pura energia, até os Escape pods. Durante seu trajeto ela divisava a ruína da USS Shanbara. Gostaria de ter ficado e lutado até a morte. Mas não podia.

Afina, Helena precisava cumprir uma importante missão. E ela não conseguiria sozinha.

Adentrou o Escape pod e programou a rota. Seguiu-se um ruido surdo de desacoplamento e o baque da inércia residual frente ao Arremesso de Dobra.

A tentente Valerian deitou Helena em seu novo leito, enquanto se acomodava, sentada, aos pés da maca. Recostou a cabeça para trás, soltando seus longos cabelos ruivos, antes presos num coque. Estava exausta.

E a missão estava apenas começando.

sábado, 13 de agosto de 2011

Aprendiz de Ferreiro - Capítulo 8



Olá pessoal!!!

Estamos aqui hoje com mais uma parte do conto (finalmente!!!). Espero que gostem, pois foi escrito com carinho. Não custa nada dizer, mas ele é baseado na aventura de RPG que eu venho jogando, com meu personagem Darian, da cidade de Ibelin, que, no momento, está viajando para a capital, com a missão de levar uma importante notícia ao rei.

O culto ao Deus da Morte está voltando.

Fiquem com a história pessoal, e até a próxima batalha!!

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Uma espada na cintura, uma cota de malha sobre o corpo e um cavalo branco.

Essas eram as histórias que eu ouvia quando era criança. Todo grande herói começava sua jornada desse jeito, nos contos que minha avó me contava. Nunca achei que eu sairia de casa desse jeito, mas lá estava eu, em uma manhã chuvosa, cavalgando na estrada Real. Rumava para norte, em direção a capital e levava no bolso interno de minhas vestes um pergaminho com o selo de minha família. A mensagem para o rei era bem clara.

O culto ao Deus da Morte está retornando. Eles estão entre nós.

Enquanto as gotas de chuva iam escorrendo pela cota de couro que vestia por cima da cota de malha, minha mente ia divagando. Uma pergunta continuava martelando, ainda sem resposta. Por que eu havia sido escolhido como alvo. O assassino misterioso não dissera nenhuma pista sobre o porquê de querer me matar. Simplesmente me atacara na mata e morrera antes de poder ser interrogado. Teria sido por causa do metal que meu pai me mandara buscar na floresta, ou teria sido devido ao meu papel na batalha contra os orcs que atacaram Arlia.

Os dias foram passando, banhados em dúvidas e em gotas de chuva, enquanto eu percorria a excelente estrada pavimentada, em direção à capital. Minha primeira parada seria na cidade de Marze, lar da maior escola de alquimia do reino de Britannia.

À distância, após uma curva particularmente longa da estrada, consegui divisar seus insólitos muros. Eram tão altos e grossos quanto os muros de Ibelin, mas eram diferentes. Cada ranhura da parede, que indicava o ponto onde uma pedra encontrava a outra, brilhava em uma intensa coloração esmeralda. As torres de vigia lembravam-me olhos atentos, brilhantes, que geravam fachos de luminosidade e percorriam a estrada e os arredores da muralha como faróis no mar.

Continuei minha cavalgada, agora admirado pela cidade de Marze, quando fui interpelado por guardas locais. Apesar de estar eu mesmo com uma aparência bélica, estranhei a rudeza daqueles guardas, tratamento tão diferente do que se conta, em Ibelin, sobre a hospitalidade da cidade dos alquimistas. Alguma coisa parecia estar errada.

-De onde vem viajante? E o que quer em nossa cidade?

Olhei por um instante, intrigado, antes de responder. O guarda trajava um manto azul escuro por sobre a armadura metálica. Seus punhos seguravam firmemente a lança de duas mãos que carregava, e seus olhos, por baixo da viseira levantada do elmo tinham um ar assustado. Os guardas estavam imersos em medo.

-Sou Darian, de Ibelin. Estou em viagem para a capital, mas pensei em pernoitar em Marze. Compartilho interesses em alquimia, e a cidade é famosa por isso.

Os guardas se entreolharam e as pontas de suas lanças baixaram alguns centímetros. Desmontei do cavalo, pensando, de forma cômica, que ainda não havia lhe dado um nome. Bom, isso poderia esperar. Caminhei lentamente até os guardas, que correram seus olhos da minha espada embainhada para a pistola de pólvora no coldre. Senti suas lanças se erguerem um pouco mais, mas tentei não esboçar reação.

-O que estão fazendo? Já não tivemos problemas o bastante, e vocês perdem tempo com um viajante? Seus idiotas!

A mulher que surgiu por trás do portão de Marze era simplesmente a mulher mais bela que eu já havia visto na vida. Tinha os cabelos longos e dourados, os olhos azuis cintilantes e vestia um vestido branco. Ela andava com um ar de confiança que poucas vezes eu havia visto antes na vida. Os guardas imediatamente abaixaram as lanças e entraram em posição de sentido, e eu percebi que aquela era uma cidadã de respeito e alta patente na cidade.

-Forasteiro, desculpe-me os maus modos dos guardas, mas eles estão assustados. A cidade, de fato, está no meio de um problema. Se não for pedir muito, esqueça o que houve e tenha um bom dia em nossa Marze.

Ela disse tudo aquilo com um sorriso no rosto, mas parecia forçado. Franzi o cenho, mas assenti, e caminhei por sob o arco do portão. A praça de Marze era de uma beleza sem igual. Uma fonte enorme enfeitava o centro dela, e os prédios no entorno tinham entre cinco e seis andares, parecendo grandes monolitos de pedra lisa e lustrosa com janelas e portas. Algumas barracas vendiam itens alquímicos nas praças, desde ingredientes até elixires totalmente preparados e funcionais.

Duas crianças passaram correndo por mim, enquanto eu olhava os vendedores. Imediatamente uma mulher, a mãe deles, presumi, os pegou pelas vestes e os levou para dentro de casa. O olhar de medo que ela me direcionou continuou me intrigando profundamente. Isso deve ter transparecido em minha face.

-Acho que você não é do tipo de forasteiro que só está aqui pelos elixires, não?

A mulher do portão me olhava enquanto falava comigo. Me olhava nos olhos. Eu tinha a sensação de que minha alma estava sendo lida, naquele momento. Pelo que ela me explicou depois, não foi uma sensação de todo infundada.

-Não, não sou. Tenho uma viagem maior para fazer, até a capital. Realmente o conhecimento de Marze me atrai, mas não consigo deixar de pensar que há algo errado aqui. Por que não experimenta me contar o que se passa, e de repente eu posso até ser de alguma ajuda.

Ela me olhou como se me estudasse longamente, antes de, por fim, sanar minha curiosidade.

-Houve um sequestro há duas noites. Dez crianças foram levadas, e o sequestrador enviou uma nota, pedindo um resgate.

Franzi o cenho e entendi o medo daquela senhora ao agarrar seus filhos e os levar pra dentro de casa.

-E o que ele pediu?

-O Codex de Mármore.

Já havia ouvido esse nome antes. Os bardos, quando contavam histórias sobre Marze, sempre o citavam. A pedra fundamental da alquimia humana. A tabuleta que continha todo o conhecimento alquímico de Marze. Ali estava um sequestrador que pedia uma grande quantia pelos seus reféns.

-E vão lhe entregar o Codex? Quer dizer... por que não mandam soldados?

Ela sorriu, de forma triste.

-Já enviamos. Todos os nossos trinta soldados. E quase todos morreram. O sequestrador contratou mercenários para patrulhar os entornos de seu esconderijo. Além disso, alguns soldados sobreviventes disseram que o sequestrador é um mago poderoso e eles mal tiveram tempo de sacar suas armas antes de ser tarde demais. Acho que agora só nos resta dar o que ele pede... inocentes não devem sofrer por causa de algo tão bobo quanto esse conhecimento.

Fiquei impressionado com as palavras dela. Como alguém de Marze podia chamar o conhecimento alquímico de algo bobo. Mas, vendo o carinho no olhar dela enquanto olhava as crianças que ainda estavam na cidade, os cidadãos que levavam os pequenos pelas mãos até as soleiras de casa, os vendedores, os guardas, eu entendi. Ela valorizava muito mais todas aquelas pessoas do que uma tabuleta. Sorri.

-Bem, isso realmente é um problema não? Hum... me diga uma coisa, senhorita. Em qual direção os guardas disseram que é o esconderijo do sequestrador?

Ela falou antes de pensar.

-Norte, no coração da Floresta dos Segredos. Mas... por que quer saber?

Olhei para o meu cavalo, acariciando sua crina, e entreguei as rédeas para a mulher.

-Só para saber onde está o mago, oras. Afinal, já está na hora de alguém dar um bom soco nesse imbecil e trazer as crianças de volta.

Ela me olhou em choque enquanto segurava as rédeas de meu cavalo branco.

-Mas... senhor, trinta guardas foram derrotados. Como o senhor acha que apenas um homem vai sair vitorioso de lá?

Parei frente à uma venda de elixires e produtos alquímicos. Comprei quatro. Olhei para ela e sorri.

-Hum, acho que eu tenho sorte. Bem, se eu voltar vivo, lhe conto como foi a luta de um garoto com uma espada de madeira contra um chefe orc.

Saí da cidade, decidido. Era hora de uma aventura pela floresta.

Continua...

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Um pequeno PS: Quando estávamos jogando a aventura que deu origem ao conto, houve uma imagem de um jogo (que eu não me lembro qual, pra falar a verdade) que foi utilizada para ser a base da "mulher do portão". Então, coloco aqui embaixo para vocês verem como ela é. Agora sempre que aparecer alguém que teve como base um concept art ou coisa assim, vou postar a referência também.

Abração!



terça-feira, 2 de agosto de 2011

Rotinas de Aprendiz



Olá pessoal! Tudo de boa com todos, eu espero!

Então, estou eu aqui de volta, para retornar à regularidade de um post semanal com conto! Não, o conto não sai hoje, mas esse post é só para sair da inércia que as obrigações da faculdade e uma eventual preguiça e mau humor me colocaram.

A inspiração desse post veio de uma postagem mais ou menos antiga, do blog do meu grande nakama (aquele amigo que é como família, pra quem não conhece o termo), o Bardo Rafero.

Estava eu pensando na questão apontada no citado post pelo meu brother Rafero, sobre, se rolasse o apocalipse zumbi, o objeto diretamente à sua esquerda fosse a única arma que eu iria dispor. Olhei para a esquerda e vi um celular e um relógio... Assim a sobrevivência durante a invasão dos mortos-vivos iria ficar difícil. Então eu resolvi tomar uma providência.



Agora acho que já dá pra brincar um pouco XD

E vocês amigos? Qual o objeto imediatamente à sua esquerda?

Grande abraço e até a próxima batalha! (Que pode vir a ser contra zumbis, já pensaram nisso?)

domingo, 10 de julho de 2011

Aprendiz de Ferreiro - Capítulo 7



Olá pessoal!

A faculdade quebrando o meu tempo (tá ok, e o PS3 também) e eu ficando um mês sem postar... Isso não se repetirá! Então meus queridos, fiquem com o próximo capítulo do conto aqui, e aguardem novidades para essa semana!

Abração e até a próxima batalha!

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Definitivamente eu estava ficando melhor nisso.

É engraçado como as lutas passam em borrões de memória quando tentamos nos lembrar delas mas, na hora, parece que são tão lentas quanto a neve sendo carregada pelo vento. O homem de sobretudo investiu em minha direção, a espada tendo como alvo o meu braço do escudo, na altura do ombro. Me desloquei para trás, saindo do alcance do ataque.

Eu mantinha os meus olhos nos dele o tempo todo. Eram olhos opacos, loucos, mas me diziam a intenção de seu golpe, onde queria me acertar. Investi uma vez, mas meu ataque foi aparado por sua lâmina, e o contragolpe quase me cortou fora o pescoço. Defendi por um fio de cabelo e novamente me afastei para ganhar espaço.

Meu adversário tinha uma excelente postura de combate, mantendo o escudo sempre em guarda alta, e a espada posicionada de forma que seus contragolpes aproveitavam o máximo de sua corpulência de velocidade. Um assaltante de estrada não podia ser tão bem treinado assim.

Investi novamente, tendo seu braço da espada como objetivo, mas meu golpe foi bloqueado por um movimento circular do escudo e sua espada novamente passou próxima de minha garganta. Recuei dois passos e assumi novamente a postura de combate, segurando minha arma com as duas mãos, a ponta da lâmina na direção entre os olhos de meu oponente, à frente de meu corpo. Uma postura defensiva, que me foi ensinada pelo mestre de armas da propriedade de meu pai.

Os segundos seguintes foram tão rápidos que mal me lembro. O assassino avançou, girando sua espada sobre sua cabeça e promovendo um arco descendente, visando minha testa. Com a ponta de minha espada atingi sua arma, desviando a rota do golpe, que passou, inofensivo, à minha direita. Em um movimento fluido, desci a espada, de forma circular, em sua coxa direita. Era meu primeiro golpe com aço atingindo couro, tecido, carne e ossos. Nunca havia aprendido a calcular a força de um golpe. Mal sabia o quão afiada era minha espada.

Separei a perna do assassino de seu corpo.

O arco de sangue que se fez no ar é algo que jamais esquecerei. O grito do homem que antes me ameaçava quase me deu pena. Ele cambaleou e caiu. A ferida que sobrou em seu membro inferior direito jorrava um volume de sangue que eu mal sabia existir dentro do corpo humano. Ele deixou cair a espada e o escudo e agarrou o resto de coxa com as duas mãos. Pouco depois, pálido, perdeu os sentidos.

Eu confesso que fiquei alguns momentos em choque, parado. Mas tinha que fazer algo para salvá-lo. Utilizei tecidos para fazer uma bandagem na ferida, para que o sangue parasse de fluir. Não tive muito sucesso. Rapidamente coloquei a carga de minério no lombo do cavalo, e ergui o homem e seus equipamentos em minhas costas, avançando o mais rápido que podia no sentido de Ibelin. Não senti o tempo passar, tamanho era meu desespero. Por isso não percebi que, por vários minutos, carreguei um cadáver. O assassino se esvaiu em sangue durante o trajeto e eu nada pude fazer para salvá-lo.

Caminhei para fora da trilha e o deitei ao lado de uma árvore. Peguei sua armadura, seu escudo e sua espada. Sujo de sangue, caminhei de volta para Ibelin, ao lado do cavalo. Depois de algumas horas de caminhada, avistei novamente as muralhas seguras de minha cidade. Ao me aproximar da entrada do portão, fui interpelado pelos guardas, afinal, estava totalmente sujo de sangue e fazia todo sentido os guardas me abordarem. Depois de explicações, andei até a casa de meu pai.

O final daquela tarde passou também como um borrão. Minha mãe absurdamente preocupada por me ver banhado em sangue, embora não fosse meu. Já meu velho pai me conduziu até a forja, depois que os auxiliares foram liberados, e começou a martelar uma ombreira metálica. Olhou-me pelo canto dos olhos e se pronunciou.

-Então meu filho. Me conte o que aconteceu.

Sentei-me em um banco e iniciei meu relato. Enquanto forjava a peça de metal me ouvia atentamente. Quando terminei, ele me olhou fundo nos olhos antes de proferir suas palavras. Palavras aquelas que mudariam muito a minha vida.

-Você viaja para a capital amanhã. Levará uma mensagem minha para o Rei.

Olhei para ele atônito. Iria mais distante de casa sozinho do que jamais havia ido.

Continua...

domingo, 5 de junho de 2011

Aprendiz de Ferreiro - Capítulo 6



Olá pessoal!

Mais uma vez atrasado, mas tentando me acertar! Agora com uma poderosa internet de 5MB e meu scanner funcionando normalmente, tou até no clima de post com desenho!



A imagem é de Darian, após a batalha de Arlia. Notando que precisava de mais proteção, ele forjou uma armadura metálica e, além disso, uma espada de verdade.

Esse capítulo é sobre isso.

Um grande abraço e até a próxima batalha!

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Duas semanas tinham se passado desde a batalha sob os muros de Arlia.

Por mais incrível que tivesse sido meu último mês, os últimos quinze dias se mostraram um retorno enorme à rotina. Voltei para Ibelin, para os trabalhos na forja, meus treinamentos com os livros. A cada noite que se passava eu me recolhia cedo para o quarto, cansado, e olhava com certa reverência para o que sobrara da minha espada de madeira partida.

Na minha cabeça as informações mais recentes que eu recebera ao voltar para minha cidade natal se misturavam com os sentimentos daquela batalha, e do depois. Meu pai me contara porque o Corpo de Artilheiros de Ibelin não havia ido em auxílio de Arlia. Eles tinham marchado para o Sul, indo ajudar um castelo de Triannor que havia sido tomado de assalto.

Mais notícias de conflitos armados foram chegando aos meus ouvidos com o passar dos dias, e eu comecei a pensar que a minha rotina acabaria sendo quebrada mais cedo ou mais tarde. Passei a utilizar meus horários livres para trabalhar em algo que vinha inundando meus pensamentos desde o combate com o líder orc.

Eu forjaria minha primeira espada de aço.

No momento em que minha espada de madeira quebrara eu sequer tinha atentado para um detalhe que agora me perturbava. Caso eu não estivesse com a vantagem naquele campo, eu teria sido morto, pois ficara desarmado. Voltei para Ibelin com a idéia de forjar uma espada de metal em mente. Conversei com meu pai sobre isso, e ele, como sempre, não se mostrou nem contra, nem à favor, deixando a decisão toda comigo. Minha mãe, obviamente, era contra. Tinha ficado cheia de preocupações quando soube da luta em Arlia, e queria, de todo o coração, que eu ficasse na cidade e fosse um ferreiro normal.

Passei meus dias pensando no que deveria fazer. Estava acostumado a utilizar a espada com as duas mãos, então decidi por seguir essa linha. Comprei material e iniciei o trabalho da espada pelo cabo e o pomelo. A cada noite que eu passava dando forma à madeira e ao couro, sentia o pingente de Adrianna roçar em meu peito. Já não a via faz um mês, e seu rosto começava aos poucos a se apagar em minha mente, mas o calor de seus lábios e de seu hálito ainda se fazia sentir em minha boca. Ou, claro, eu podia apenas estar delirando.

Demorei quase vinte dias, mas finalmente terminei meu trabalho. Uma bela espada de duas mãos, com dois gumes afiados, e uma guarda em cruz, boa para defender os golpes que escorregariam pela lâmina e visariam meus dedos. Estava feliz novamente e passei a treinar todos os dias com ela. No início percebi a diferença do peso e vi que não era forte o suficiente para utilizá-la apropriadamente. Em uma batalha, precisaria decidir rápido, ou o cansaço me venceria.

Sequer imaginava que seria posto à prova tão cedo.

Em uma manhã chuvosa do início da semana, meu pai me pediu para ir até a casa de um conhecido seu, na floresta do leste. Material especial, ele me disse. Vesti a cota de malha, só para sentir novamente seu peso, e coloquei a espada na bainha. Mais uma vez eu estava em viagem, ainda que fosse bem curta dessa vez. Após um dia e uma noite sob o chuvisco característico da estação, eu avistei uma casa de madeira no meio de uma clareira na mata.

O senhor Carter era um homem de idade, com os cabelos brancos e uma barba aparada. Vestia-se com calças de couro curtido e camisa de algodão, e estava sentado na varanda, fumando um cachimbo. Quando me viu chegando, na carroça, abriu um largo sorriso e se levantou, vindo me receber.

- Ora vejam só, faz tempos que não tenho um visitante por aqui!

Sorri, apeando.

- Senhor Carter, não é? Eu sou Darian, filho de Bastian, de Ibelin.

Ele abriu um sorriso tão largo que o cachimbo quase caiu de sua boca.

- O velho Bastian, como ele anda? Então ele teve um filho! Quem diria... e eu achava que ele só pensava em forja e aço. Venha, vamos tomar um chá, enquanto você me conta as novidades da cidade.

E, em alguns minutos, lá estávamos nós dois, sentados na varanda, bebendo chá em uma prataria de porcelana. Qualidade muito alta para uma cabana no meio da floresta, pensei. Por talvez uma hora ele me ouviu contar sobre Ibelin, Arlia, os conflitos no continente, apenas meneando a cabeça e fazendo comentários que não entendi. Depois disso ele sorriu, e me pediu para levar a notícia de que o reino de Franca, ao norte, estava enfrentando problemas com bárbaros. Aparentemente os Anões das montanhas tinham se tornado um problema tão grande que o povo nômade das terras altas tinha resolvido descer, tentando invadir as terras dos francos.

- Mas olhe só, o Astro Rei já vai chegando ao meio de seu caminho, realmente ficamos aqui muito tempo! Venha meu rapaz, é hora de você levar sua encomenda.

Dizendo isso, levantou-se e me conduziu até um pequeno celeiro, onde um embrulho esférico, com aproximadamente um metro de diâmetro se encontrava no chão. O ergui, curioso, e o levei para a carroça. Era tão pesado quanto uma armadura metálica completa, mas era uma esfera maciça. Indaguei sobre o que era. Ele me olhou e abriu seu mais largo sorriso.

- É um metal que só os ferreiros de qualidade igual a de seu pai conseguem trabalhar. É chamado de Greyshard por alguns povos. Muito raro, muito raro, mas inigualável. Leve como couro e muito superior em rigidez aos metais convencionais. Imagino as maravilhas que o velho Bastian poderia realizar!

Sorri com o canto da boca. Meu maior sonho ainda era, um dia, superar meu velho. Greyshard. Então esse era o nome da minha meta. Um dia, prometi a mim mesmo, trabalharia o tão difícil metal. Eu não sabia, mas isso também era algo que viria a fazer uma grande diferença no futuro.

Segui viagem de volta, cantarolando uma canção muito comum das ruas de Ibelin. Minha viagem, no entanto, não seria tranquila.

Afinal, eu estava sendo seguido, e o golpe que veio, descendente, na direção do meu rosto, só não tirou minha vida porque o cavalo se assustou e acelerou com a carroça. Uma linha de sangue foi traçada abaixo do meu olho esquerdo, enquanto eu tentava retomar o controle do veículo.

Ouvi um barulho alto e soube que estava encrencado. A roda traseira partira e o melhor que eu pude fazer foi parar a carroça sem virá-la. Saltei, apressado, e saquei a espada.

Na minha frente, um homem de talvez dois metros de altura. Tinha os cabelos rentes ao crânio, pretos, uma barba crescendo irregular. Usava um sobretudo negro e uma armadura de couro da mesma tonalidade. Na mão direita, uma espada longa. Na esquerda, um escudo pesado de madeira. Me olhava nos olhos com um sorriso doentio, e eu soube que tudo o que ele queria ali era acabar com a minha vida.

Seria meu primeiro duelo com aço.

Continua...

domingo, 15 de maio de 2011

Aprendiz de Ferreiro - Capítulo 5



Olá pessoal!

Conseguindo uma periodicidade decente novamente! Semanal, pelo menos, rsrs.
Chega agora mais um capítulo da minha série Midseason, baseada na aventura de RPG que ando jogando. O bom é que voltei a jogar, depois de dois meses parado, então a inspiração voltou junto! Além disso, diversão sempre é bom!
Fiquem com mais um capítulo!

Grande abraço e até a próxima batalha!

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Na noite que antecedeu a batalha nos muros de Arlia eu fui visitado.

O Sol já havia se escondido atrás das montanhas, e eu estava sentado em um quarto na casa da família do ferreiro da cidade. A palha me servia de colchão, enquanto eu comia uma tigela de sopa e pão, olhando as estrelas através da janela. Trajava apenas calças, de torso nu e descalço, sentindo o vento frio da noite se aproximar.

- Amanhã é o grande dia, Darian.

John estava parado no batente da porta do quarto. As sombras se mesclavam com sua capa e eu realmente admirava a capacidade dos Arqueiros Reais de se camuflarem em qualquer ambiente. Não carregava consigo seu arco longo ou sua sacola de flechas. Trazia apenas as facas embainhadas no cinto. Caminhou até a janela e apoiou as mãos, olhando também para as estrelas.

- Eu quero que você lute na parede do centro. É o nosso ponto mais frágil. As paliçadas não foram o suficiente para reforçar a defesa ali, a luta vai ser aberta, e eu vou comandar o corpo de arqueiros, no flanco direito.

Comi mais uma colherada de sopa e mordi um pedaço de pão. Coloquei a tigela no chão e me levantei, andando até a janela.

- As informações que temos são mesmo confiáveis?

John me olhou de lado.

- São. Interroguei o prisioneiro pessoalmente. São mil guerreiros e quinhentos arqueiros. O resto são escravos, que não vão tomar parte no combate. As armadilhas foram plantadas no campo.

Suspirei.

- Vai funcionar?

John sorriu.

- Melhor funcionar garoto. Não tenho a mínima intenção de morrer por aqui.

Na manhã seguinte acordei antes do Sol nascer. Caminhei até o pátio e fiz meus exercícios matinais. Repeti várias vezes as séries de espada. Ri de mim mesmo. Um garoto com uma espada de madeira em uma parede de escudos. Minha primeira parede de escudos. Alef apareceu no pátio quando eu terminava a série. Meu irmão elfo se aproximou e ele tinha uma felicidade no rosto. Pensando, hoje, Alef nunca acreditou na derrota. Me contou que iria estar sob o comando de John na batalha, compondo o corpo de arqueiros. Deu-me um tapinha no ombro e me perguntou se eu não queria ir pra cama com alguma mulher da cidade.

Sim, ele tinha o dom para me deixar sem graça.

Almocei junto com os soldados que iriam compor o centro. Elias e Bart estavam lá e fiquei contente por isso. Sabia que eram bons lutadores. Após o almoço, cada soldado se ocupou com alguma tarefa, e eu sentei próximo ao ponto que defenderíamos, sobre a grama maltratada, e me concentrei em acertar as amarras da minha loriga de couro e do camisão de cota de malha que eu mesmo havia forjado nos últimos dias. Aparei algumas arestas lascadas de minha espada.

Foi quando ouvi os tambores.

Entrando no vale eu vi os soldados orcs em formação. Vinham chocando suas lanças em seus escudos de forma lenta e ritmada. Alguns Orcs vinham utilizando grandes tambores presos às costas, que faziam retumbar com baquetas que mais se assimilavam à clavas. Atrás de cinco fileiras de lanceiros vinham os arqueiros. Mais atrás vinham os escravos, mais franzinos e cuidando de carroças e suprimentos.

Apenas um cavaleiro.

Vinha à frente do exército, trajando cota de malha e um manto negro de peles. Seu cavalo era cor de piche e era, sem dúvida, o maior cavalo de guerra que eu já havia visto. O cavaleiro orc empunhava uma lança longa na mão direita e portava um escudo à esquerda que lhe cobria do ombro ao joelho, sem qualquer símbolo. Seu rosto era assustador, me lembro. Tinha a pele cinza-esverdeada dos orcs. Suas presas subiam acima dos lábios inferiores de um maxilar prognata. Os cabelos espessos e escuros mais pareciam uma juba leonina, e suas orelhas ostentavam brincos feitos com ossos.

Nossa linha se formou, os escudos se tocando, formando uma sólida parede. Tínhamos aproximadamente trezentos e cinquenta soldados, formados em duas fileiras apenas. Nossos arqueiros estavam posicionados à lateral dos muros e sobre eles. Tínhamos apenas trinta cavaleiros, reforço mandado por Ibelin. Eu queria ali o corpo de artilheiros de minha cidade, mas não foram enviados. Mais tarde vim a saber que haviam também problemas ao sul.

Os orcs avançaram, e eu me lembro de poucos detalhes da batalha. Quando as paredes de escudos se tocam, o mundo externo deixa de existir. O espaço é apertado, um escudo colado ao outro, roçando no escudo de seus inimigos. Na parede de escudos eu descobri que a guerra se trava na borda inferior deles. Perdi a conta das estocadas que passaram por baixo dos escudos e cortaram calcanhares ou tornozelos.

Lembro-me de ter matado talvez três ou quatro orcs, acertando seus crânios com força, nas raras ocasiões em que pude brandir a espada com um pouco mais de espaço. Feri mais alguns e não consegui fazer mais nada enquanto as paredes estavam unidas.

Ouvi os tambores tocando em outro ritmo e soube que os reforços, a terceira e quarta linha de orcs vinha se juntar à batalha. Estaríamos acabados. Mal conseguíamos segurar as linhas que nos atacavam. Tínhamos matado mais que eles, mas mesmo assim seus números continuavam maiores que os nossos. Temi, e senti o temor se espalhar pela linha de defesa do centro.

Foi aí que nossa sorte mudou.

Vi chamas enormes irromperem no meio do caminho entre a linha de frente dos orcs e seus reforços. Muitos orcs queimavam e nossos cavaleiros deixaram a segurança dos muros e avançaram rumo à matança.

Nossos cavaleiros atacaram os reforços dos orcs pelo flanco, causando o caos e morte. Nos aproveitamos da vantagem e do ânimo renovado e conseguimos quebrar a parede de escudos dos orcs à nossa frente. Matamos naquela tarde. Não mortes bonitas como cantam os bardos, mas as mortes sujas, em meio a confusão de uma debandada de guerreiros derrotados. Soube, horas mais tarde, que nesse momento os escravos orcs debandaram, e seu líder observou, impotente, sem poder deslocar sua reserva para perseguí-los pelo campo. A luta se demorou pouco mais. Avançamos pelo campo e cercamos os cem orcs que restavam. Mal podia acreditar na vitória que havíamos conquistado.

Mas eu era ingênuo e não sabia que orcs, em geral, lutam até o último vivo.

Cercados e acuados como um grande predador ferido, os orcs avançaram em nossa direção. Tinham cercado seu líder para protegê-lo, mas agora atacavam como bestas enraivecidas. Lutamos naquele campo e perdemos cerca de trinta bons homens antes de conseguirmos refrear os orcs. Sobravam ainda cinquenta inimigos, feridos, mas ainda aguerridos. Perderíamos muito mais homens se aquela situação continuasse.

Foi então que talvez eu tenha sido tomado pelo meu primeiro rompante de loucura.

Avancei sozinho, me destacando da parede de escudos que havíamos formado. Bradei em alto e bom som, para ser ouvido por todos naquele campo de batalha.

- Líder Orc! Vocês lutaram bem hoje, e não precisam morrer todos aqui. Lute comigo agora, eu o desafio! Vencendo ou perdendo, seus homens serão poupados. Se me derrotar, poderão sair desse campo hoje. Se for derrotado, serão feitos prisioneiros, mas tratados com dignidade.

Ainda hoje não sei o que se passava pela minha cabeça naquele momento. Alef me contou que, quando ouviu aquilo, pensou que eu realmente tinha enlouquecido totalmente. O líder orc avançou em minha direção. Abandonou o escudo e brandiu a lança com as duas mãos, aceitando meu desafio.

Meu pai certa vez tinha me dito que você precisa ser três vezes melhor que um homem com uma lança se quer derrotá-lo. Naquela tarde eu aprendi a verdade daquelas palavras.

O líder orc estocou com sua lança e, embora eu tivesse conseguido me esquivar, estava muito longe para contra-atacar e fui alvo de outro ataque. Fui acuado e obrigado a me esquivar de seis ou sete golpes seguidos. Uma varredura quase me derrubou e teria sido meu fim. Arrisquei um golpe, que foi aparado com desdém pelo líder orc. Ele avançou e estocou mais duas vezes e fui forçado a aparar com a espada e o escudo.

Meus movimentos ficavam cada vez mais lentos. Estava cansado e ele realmente era muito mais preparado que eu. Pensei que seria derrotado ali. Dois ataques passaram muito próximos da minha garganta e do meu cotovelo. Ataquei novamente, sem sucesso. O líder orc lia meus movimentos com facilidade. Sentia que ele se divertia com o temor que estava me causando, e sua frustração naquele campo estava se tornando um prazer cruel. Enfrentava, aos seus olhos, uma criança insolente, e queria castigá-la.

Eu mal conseguia ficar de pé. Saltava de um lado para o outro, mas minhas forças estavam se exaurindo. Mais cedo ou mais tarde eu seria atingido.

Não fazia idéia que isso selaria minha vitória.

Mal consegui ver a estocada. Tinha alvo certo, meu coração. A ponta da lança bateu em meu escudo, resvalou alguns centímetros para baixo, atingindo o ponto exato sobre meu coração. Uma exclamação subiu em meus companheiros de batalha, enquanto que um urro de triunfo partiu dos orcs restantes.

Mas meu pai tinha me ensinado a ser um bom ferreiro.

A ponta da lança atravessou couro e tecido, mas parou entre os elos da cota de malha que eu havia forjado. Me aproveitei do momento de surpresa do líder orc, e desferi um golpe,segurando o cabo da espada com as duas mãos e baixando-a com toda minha força.

Duas coisas se quebraram naquele momento. Minha espada e a perna direita do líder orc, que tombou no campo, sem conseguir conter a dor e a decepção. Tinha sido derrotado por uma criança, e seus soldados seriam feitos prisioneiros.

Uma ovação partiu de meus companheiros, enquanto eu levantava o braço da espada em triunfo, segurando o cabo e os vinte centímetros da lâmina que haviam sobrado.

Prendemos os orcs e o líder foi levado para ser interrogado por John. Alef me abraçou, me chamou de louco, e depois caminhamos de volta para a cidade, onde fui abraçado por Adrianna, a jovem que eu e meu irmão tínhamos salvo na floresta. Ela beijou meus lábios e me deu um cordão de prata, com uma jóia esmeralda engastada. Era rústico, mas muito bonito, e ela me forçou a aceitar o presente.

Naquela noite, celebramos a vitória com gosto e, na manhã seguinte, partiríamos de volta para Ibelin. Acordei cedo, como em todas as manhãs, e, ao invés de cumprir minha rotina de exercícios, resolvi caminhar no campo de batalha.

A desolação era imensa. Corpos de quase um milhar de orcs jaziam mutilados e apodrecendo. Soldados conhecidos e desconhecidos dividiam o espaço do chão frio. Caminhei por ali, pensando no dia de ontem. A fúria da batalha, o prazer de vencer um inimigo. A sensação de tirar uma vida. Todos sentimentos conflitantes.

Até que um orc morto chamou minha atenção. Em seu pescoço, um cordão com pingente, sujo de sangue. Um símbolo ancestral.

O Lobo negro com quatro asas.

O símbolo do Deus da Morte.

Minha vitória tornou-se opaca. O pior ainda estava por vir.

Continua...

terça-feira, 10 de maio de 2011

Histórias da Taverna



Olá Pessoal!

Realmente está difícil manter uma regularidade maior, por causa dos estudos e tudo mais, mas cá estou eu novamente, com um conteúdo um pouco fora do meu estilo dessa vez.

Explico: eu curto muito (muito mesmo) os cenários de fantasia e ficção, com toques mais medievais, de época, algo no estilo O Senhor dos Anéis, A busca pelo Graal e o famigerado Viagem a Trevaterra (Quem conhece, conhece, rsrsrs). Entretanto, eu acredito que, como aspirante a escritor, devo me aventurar em lugares mais inexplorados... no meu caso, o cenário do pequeno conto que será apresentado a seguir.

Espero que gostem e critiquem, porque só tomando umas porradas é que a gente ganha ponto de experiência pra aumentar as perícias! Ah, e estudando também, rsrs

Fiquem com o conto, e até a próxima batalha!

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12 de Novembro de 2010.

Suíça.

-Bem vindo, agente Cooper. Chegou precisamente no horário marcado.

O homem alto de paletó preto o recebeu de forma cortês no hotel de luxo onde se encontravam. Hector Cooper adentrou o recinto de forma calma, porém com um certo pressentimento ruim. A missão Suíça era encargo de seu camarada agente Stan. Era um ótimo agente, nunca falhava. Sua presença ali devia indicar que algo não havia saído como planejado.

-Recebi a mensagem ontem à noite. O Bureau fez o favor de me conseguir um vôo sem escalas dez minutos após a meia noite.

O homem alto circundou uma pequena mesa de mármore, na ante sala da suíte. Sentou-se em uma cadeira com forro de veludo vinho e convidou o agente Cooper a sentar-se também, de frente para ele. Sobre a mesa havia um surrado envelope de papel pardo, do tamanho de um jornal aberto. Quando ambos se sentaram, Hector encarou o envelope por alguns momentos. O homem alto fez sinal para que ele o abrisse.

O agente Cooper quase prendeu a respiração ao observar o conteúdo do envelope. Olhou para o homem alto, incrédulo.

-Então... a missão Suíça era... isso? Como...?

O homem alto se levantou, com um controle na mão, parecido com um controle de televisão. Apontou-o para a parede e apertou um botão. Parte da parede deu lugar à uma tela de projeção, que desceu do teto. Começaram a se projetar imagens de rostos conhecidos para o agente Cooper. Havia os estudado durante o período de testes do Bureau. Ali estavam os mais procurados do mundo. Terroristas, líderes de cartéis de drogas e indivíduos envolvidos em tráfico de seres humanos. Entre as fotos, o rosto desconhecido de um homem de meia idade, caucasiano, careca, com feições orientais, usando um terno caro.

-Agente Cooper, preste atenção. Você deve entender o sigilo do que denominamos de missão Suíça. Depois dos eventos em 11 de setembro, deve parecer óbvio que uma notícia dessas não poderia ir à público. Imagine a histeria coletiva. Imagine o pânico, os saques. Não, definitivamente, não pode ir à público.

Cooper endireitou-se na cadeira. Absorvia cada palavra do homem alto, em busca de esclarecimento. Passou o olho pelos documentos em suas mãos. Estavam datados de quatro dias atrás. Hotel Marriot, um dos melhores hotéis locais, cinco estrelas. Uma reserva.

-O agente Stan veio para cá meses atrás, coletando informações. Antes de perdermos comunicações com ele recebemos a mensagem em anexo no envelope.

Hector abriu o envelope menor, de papel branco. Notou que havia nele um lacre de cera vermelha, com um sinete que lhe era familiar, embora não conseguisse se lembrar dele de primeira. Talvez pelo nervosismo, pensou.

Pela segunda vez naquele dia, Hector Cooper prendeu a respiração. Aquilo sim era algo que jamais teria imaginado. Passou os dedos pelo relevo do convite. Seria em dois dias. Finalmente começava a fazer sentido sua convocação em caráter urgente.

-Então, senhor, qual é a missão?

O jovem agente olhou para o homem alto enquanto este se levantava e caminhava até a janela, onde, abaixo, havia uma pequena mesa em estilo vitoriano. Abriu a gaveta e pegou outro envelope de papel pardo, similar ao primeiro, embora esse parecesse um tanto quanto mais pesado. Entregou nas mãos de Cooper.

-Agente Cooper, suas instruções estão aí dentro, bem como as ferramentas de que vai precisar. Não falhe.

Foi então que Hector Cooper foi banhado em sangue. Aconteceu muito rápido, uma fração de segundo. A testa do homem alto se abriu de dentro para fora, espirrando sobre o agente sangue e massa encefálica. Cooper rolou de lado, vendo a janela quebrada e o reflexo do cano da arma de um atirador de elite no prédio vizinho. Rastejou até a porta, ouvindo o som de mais dois projéteis atravessando vidro e concreto.

Não foi atingido por sorte, conseguindo abrir a porta e se esgueirar para o corredor. Correu desequilibrado até a escada de emergência, que descia pelo lado oposto ao do prédio do atirador. Saltou os degraus de três em três, até chegar ao sétimo andar, onde parou por um instante. Não poderia chegar ao saguão no estado em que se encontrava. Abriu a porta em não mais que uma fresta, e observou o corredor.

Vazio. Caminhou até o quarto setecentos e três, ajoelhando-se de frente para a fechadura. Tirou, do bolso interno de seu paletó, uma pequena ferramenta, parecida com um canivete, só que, ao invés de liberar lâminas, liberava pequenos filamentos de metal, parecidos com grampos de cabelo. Em alguns instantes utilizou a ferramenta para destrancar a fechadura. Levantou-se.

De seu coldre escondido sob o paletó sacou uma pistola nove milímetros equipada com silenciador. Tateou a maçaneta e deslizou a porta devagar. O apartamento parecia vazio, embora houvessem algumas roupas espalhadas na ante-sala. Entrou e fechou a porta, fazendo uma rápida busca nos arredores. Fechou as janelas e se certificou de estar realmente sozinho no local.

Foi até o banheiro, lavando-se. Despiu-se e tomou um banho, removendo as manchas de sangue e coágulos. Secou-se e abriu o armário, em busca de roupas que lhe coubessem. Separou uma calça de tecido preta, um par de meias brancas, uma camisa de mangas branca e uma jaqueta de couro preta. Ficava um pouco larga, mas não tanto. Antes de se vestir, abriu o envelope de papel pardo que lhe fora dado.

Franziu a testa. Além de um envelope menor onde haviam instruções escritas de maneira codificada, seguindo o código do bureau, haviam mais dois itens estranhos à Hector.

O primeiro era como um traje de mergulho. Cobria dos pés ao pescoço, sendo que a cobertura das mãos era como luvas onde os dedos ficam cobertos, à exceção dos indicadores e polegares, que ficavam expostos. O traje fechava com um zíper da cintura ao pescoço, com uma tira se fechando de forma horizontal sobre a garganta. Era totalmente negro, exceto por algumas linhas e padrões esverdeados, e seu tecido era algo desconhecido para Cooper.

O segundo item lhe lembrava um soco inglês, só que ao invés de se encaixar em seus dedos, encaixava-se em sua mão, na palma e no dorso. Na palma havia uma espécie de led ou lâmpada luminescente esverdeada. No dorso uma numeração.

02.

Hector pegou o texto do envelope menor e pôs-se a ler. Precisava saber quais eram, exatamente, suas instruções e para que serviam os itens desconhecidos. Permitiu-se sorrir ao ler as especificações. Muito mais por nervosismo que por intusiasmo.

Talvez houvesse realmente uma chance de cumprir a missão.

Vestiu-se, colocando o traje novo por baixo das roupas arranjadas. Ajeitou o coldre de sua pistola por baixo da jaqueta e colocou a manopla, por falta de palavra melhor, em um bolso interno do casaco. Olhou-se no espelho, procurando manchas de sangue e não encontrou nenhuma. Ia se preparando para sair, de fato, suas mãos tocavam a maçaneta, quando esta girou.

Moveu-se rapidamente para trás da porta, mantendo-se fora da linha de visão de quem entrava. Agiu rápido quando certificou-se que era apenas uma pessoa adentrando o recinto. Sua mão esquerda tapou a boca da mulher enquanto que sua mão direita fechou a porta sem fazer barulho. A mulher arregalou os olhos e tentou se libertar, mas foi imobilizada sem ser ferida.

-Não estou aqui para machucá-la. Se acalme e eu lhe solto, estava de saída. Além das roupas que estou vestindo, não me apossei de mais nada. Deixei alguns dólares sobre a cama, para compensar.

Hector disse isso de forma calma e com a voz baixa. Deu dois passos para trás, se afastando da mulher e se aproximando da porta.

A mulher era jovem, devia ter em torno dos vinte e seis anos. Usava um vestido azul claro com um corte que lhe caía reto dos seios aos joelhos. Tinha um decote abaulado e uma fenda lateral na saia. Usava sapatos de salto altos que combinavam com o vestido e o cabelo preso em um elegante coque atrás da cabeça. Era loira e pouco mais baixa que Hector. Seus olhos azuis combinavam perfeitamente com o vestido. Tinha no rosto a expressão assustada de quem acaba de ser dominada por um estranho. Cooper não pôde culpá-la.

-Peço desculpas novamente, e peço que esqueça minha passagem por aqui. Adeus.

Dizendo isso, girou a maçaneta e ganhou o corredor, equanto a jovem mantinha-se no mesmo lugar, como que petrificada. O agente Cooper chegou novamente às escadas de emergência e desceu até o térreo. No saguão, roubou do bolso de um homem que chegava para se instalar no hotel, um par de óculos escuros de estilo aviador. Colocou-os e pôs-se a caminhar nas limpas e organizadas ruas de Berna.

Tinha um leilão para comparecer

domingo, 17 de abril de 2011

Aprendiz de Ferreiro - Capítulo 4



Olá pessoal!

Por causa de problemas técnicos (e essa vida atarefada que eu ando levando) fiquei um bom tempo sem postar aqui... mas agora é hora de voltar com regularidade!

Então, apesar de continuar sem scanner e, por isso, ficar sem desenhos para colocar aqui, no contexto da história, vamos para mais um capítulo da minha série Midseason!

Um grande abraço para todos e tomara que essa semana eu consiga superar os probleminhas!

Até a próxima batalha!

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Naquele final de tarde chovia muito. O céu estava mesclado entre tons de cinza e laranja, e meus pés afundavam na lama até os tornozelos. Fazia seis dias desde que eu e meu irmão elfo tínhamos avisado em Ibelin sobre os ataques em Arlia.

Agora nós éramos reforço.

O prefeito de minha cidade decidiu enviar uma tropa armada para auxiliar Arlia. Eu não fazia parte dessa tropa. Alef tinha ficado cuidando dos feridos da milícia arliana, utilizando suas habilidades mágicas menores. Eu parti com um grupo de batedores.

Estávamos em cinco. Liderados por um homem no mínimo peculiar. Tinha uma cabeça a menos de altura que eu, era atarracado, com os cabelos raiados de cinza, pela idade, e um queixo quadrado, firme. Chamava-se John, e fazia parte do Corpo de Arqueiros do Reino e trajava sua tradicional capa camuflada.

Elias e Bart eram irmãos, ambos soldados por profissão. Elias, o mais velho, era alto e careca, com uma barba trançada que lhe chegava ao meio do peito. Bart, por sua vez, era um pouco mais baixo que eu, e tinha cabelos longos em uma trança única que atingia sua cintura. Ambos trajavam cotas de malha e carregavam, respectivamente, um machado de duas mãos e uma espada bastarda.

O quinto componente era Levy, um dos tantos soldados de Arlia que era treinado no uso de bestas de repetição. Era mais alto que eu, cabelos curtos em um corte militar e imberbe. Trajava cota de malha e na cintura levava uma espada curta. A besta sempre ficava em suas mãos, pronta para disparar.

Já devíamos estar caminhando há, talvez, cinco ou seis horas. John forçou uma marcha acelerada no início, e agora nos fazia praticamente rastejar. Eu sentia os respingos de lama no meu rosto, a umidade se entranhando em minhas vestes. Não era nada agradável. Eu nunca havia gostado de dormir ao relento, e agora lá estava eu, chafurdando.

A luz do dia começava a se tornar mínima, como se uma cortina de penumbra cobrisse o mundo. Subimos uma colina levemente inclinada e, do alto, pudemos ter uma visão privilegiada do que afligiria Arlia. Lembro-me bem de arregalar os olhos e deixar o queixo pendente quando comecei a contar.

Pelo vale abaixo, cerca de uns quinhentos passos de nós, os orcs marchavam. Eram três enormes blocos no mesmo ritmo. O bloco da frente era composto por soldados envergando pesadas cotas de malha, com couro e peles as cobrindo. Portavam uma variedade de armas. Espadas, machados, lanças e piques. O segundo bloco era composto de lanceiros e arqueiros, também pesadamente vestidos. O último bloco era composto pelo que poderia ser uma infantaria e logística. Esses últimos conduziam carroças de madeira puxadas por búfalos castanhos e negros.

Três mil orcs marchavam pelo vale.

Minha estupefação ainda era evidente quando John se pronunciou.

-São três mil orcs. Prestem atenção nas quatro carroças do meio. Os barris.

Ainda um tanto quanto atordoado, foquei minha atenção nas carroças que o arqueiro havia apontado. Lá, nos barriletes, era possível divisar o inconfundível selo dos Alquimistas Livres. Só podia significar uma coisa, que John logo fez o favor de externar.

-Barriletes de pólvora. O suficiente para colocar abaixo as paliçadas de Arlia. Darian, Elias, Bart. Vocês três investirão contra a coluna do final, a partir daquelas árvores ali, na borda. Ataquem, derrubem um ou dois orcs, e corram de volta. Levy e eu cuidaremos da pólvora.

Elias e Bart sacaram suas armas enquanto eu me levantava e sacava minha espada de madeira. Tempos depois, pensando naquele momento, percebo como foi insano. Três guerreiros investirem contra três mil. Suicídio certo. Para minha sorte, John sabia muito bem o que estava fazendo.

Nós investimos.

Esperamos até o último momento, quando a retaguarda da tropa fazia uma curva fechada no vale. Com a espada de madeira em punho, corri e acertei um golpe sobre a orelha de um orc do flanco direito, que cambaleou, perdendo os sentidos. Com a visão perférica vi meus companheiros derrubando outros dois orcs.

Pronto. Nosso ataque surpresa tinha sido um sucesso, e agora os orcs, refeitos do susto, iriam nos trucidar.

Mas não foi assim que aconteceu.

O barulho foi ensurdecedor, como se a trombeta de caça de Elledor tivesse soado dentro dos ouvidos de nós mortais. Uma das carroças que levava pólvora subiu pelo menos um metro e meio no ar, envolvida em chamas e fumaça negra. Três outras explosões se seguiram, em diferentes carroças. Arremeti contra mais um orc do flanco direito, deixando-o no chão.

Uma seta de besta passou zunindo ao lado da minha cabeça, atingindo Elias no ombro. Ouvi o grito "recuar" vindo de Bart, e iniciei o movimento. A confusão e a fumaça nos faziam alvos difíceis, dentro da balbúrdia de orcs, mas eu não contava que alguns deles levariam para o lado, digamos, pessoal.

Barrando minha retirada, um dos maiores orcs que eu já havia visto. Talvez duas cabeças mais alto que eu, trajando uma pele de lobo como capa. O peito nu rasgado de músculos. Em seus braços, um machado de duas mãos quase do meu tamanho. Tinha os olhos avermelhados e bradou um urro ininteligível enquanto erguia o machado e o descia em direção a minha cabeça.

Rolei para o lado enquanto o machado abriu uma vala na terra. O orc era tão forte que moveu a arma em um arco, já mirando meu flanco, sem me dar tempo para reagir. Saltei para trás, fugindo do alcance do golpe. O orc deu um passo para frente e subiu com o cabo da arma, tentando me atingir com a ponta. Abaixei a cabeça, me esquivando, e finalmente pude golpeá-lo. Acertei seu flanco direito, um palmo abaixo da axila. O orc grunhiu, soltando o ar dos pulmões. Rolei para suas costas e acertei um chute na parte de trás do seu joelho direito, fazendo-o perder o equilíbrio. Empurrei-o para o chão, separando-o de seu machado.

Não consegui, entretanto, acertar-lhe mais uma vez. Outros dois orcs investiram em minha direção, com lanças. Aproveitei a fumaça e corri, afastando-me do pelotão. Entrei na mata, ouvindo mais duas explosões. A gritaria e a confusão entre os orcs não me deixava ouvir mais muita coisa. Corri pela floresta por quase uma hora, até que, em uma clareira, encontrei meus companheiros.

Elias tinha ainda o virote de besta cravado em seu ombro. Sangrava muito, mas ele era um homem de grande porte, e eu sabia que sobreviveria. Bart estava ao seu lado, com a espada em punho, guardando o perímetro. Levy jazia sentado, municiando sua besta de repetição. John, de pé, finalizava os nós nas cordas que prendiam um orc desacordado.

Tínhamos agora um prisioneiro, e, eu soube mais tarde, isso faria toda a diferença.

Nos pusemos em marcha de volta para Arlia. As defesas da cidade precisavam ser preparadas. A guerra chegaria aos seus muros mais cedo que eu imaginava.

Continua...

sábado, 12 de março de 2011

Aprendiz de Ferreiro - Capítulo 3



Olá pessoal!

Então, depois de duas semanas de férias (carnaval, viajar e etc) voltei com a minha série midseason. Por causa das férias relapsas, o que eu estava preparando para o terceiro capítulo ficará para o quarto. Espero que gostem!

Um grande abraço e até a próxima batalha!

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Eu e meu irmão elfo voltávamos com a carroça em plena velocidade para Ibelin. A cidade de Arlia seria alvo de um novo ataque da tropa orc que circundava os arredores da cidade em quatorze dias, e nós estávamos tentando buscar socorro da minha cidade natal.

Desde o momento em que deixamos Arlia para trás eu sentia algo como um mau pressentimento. Tinha a impressão de que minha volta para casa não seria tranquila. Eu pouco olhava para meu irmão, mas sabia que ele estava de prontidão, utilizando ao máximo seus sentidos élficos para impedir que fôssemos emboscados por alguma patrulha orc que pudesse estar em nosso caminho.

Depois de horas de viagem senti um medo se apossar do meu peito. Nuvens negras de fumaça e o cheiro de queimado se erguiam à uma distância não muito grande de nós. Minha cabeça se encheu de pensamentos errôneos, tentando me lembrar do que poderia estar queimando naquela localidade.

Foi meu irmão que disse em voz alta.

-A estalagem.

Arregalei os olhos e pus mais velocidade na carroça. Realmente, naquele local havia uma estalagem. "O Buraco na Bota", uma estalagem pequena, que nos acolheu na viagem de ida. Haviam duas mulheres lá. A mais velha era a dona, enquanto que sua filha cozinhava. As duas haviam sido bastante atenciosas conosco.

Quando finalmente fizemos a curva da estrada e pudemos ver a estalagem ao longe, meu corpo todo tremeu. Além da estrutura toda em chamas, a palha do telhado estalando, poças enormes de sangue na entrada e na grama ao redor. Ninguém poderia ter sangrado tanto e continuado vivo.

Meu irmão desceu da carroça e começou a procurar rastros no solo. Conduzi a carroça para um ponto distante da estalagem e a atrelei às árvores locais. Me juntei ao meu irmão no momento em que ele me sinalizou ter encontrado alguma coisa. Pegadas grandes, de botas pesadas.

Adentramos o mato, ele à minha frente. Andamos por cerca de metade de uma hora até que vimos. Já era final de tarde, e os três orcs estavam em volta de uma fogueira. Próximo deles havia uma carroça de tamanho similar à nossa, atrelada à um búfalo preto. O veículo gotejava sangue e pude ver um braço feminino pela borda, caído.

As criaturas riam alto. Tinham os lábios sujos de sangue e levantavam rudes canecos de barro, que transbordavam com um líquido rubro. Quase parti para cima sem pensar, mas meu irmão me segurou pelos ombros. Teríamos que ser coordenados, se quiséssemos sair vivos e vitoriosos dali.

Meu irmão elfo me olhou nos olhos e apontou para a minha pistola flintlock.51, fazendo sinal para o orc que estava de costas. Compreendi de imediato. Alef subiu em uma árvore e sacou duas adagas. Me adiantei e fiz mira.

O som da pólvora estourando encheu a floresta. Um dos orcs tombou para frente, seu corpo inerte caindo sobre a fogueira. Os outros dois se ergueram assustados enquanto eu corria em sua direção brandindo a espada de madeira. Ainda me valendo do elemento surpresa, acertei o joelho do orc mais próximo, ouvindo um sonoro estalar.

Senti o vento do golpe do terceiro orc. Recuperado e tendo se armado novamente com sua espada e seu escudo, seu golpe por pouco não me atingiu o rosto. O orc lutava bem, bloqueava meus ataques com seu escudo e estocava com a espada de forma fluída, quase me atingindo por diversas vezes. Talvez eu tivesse sido ferido, naquela luta, não fosse pelo meu irmão.

No momento em que o orc me empurrou para trás com o escudo e se preparava para perfurar com sua espada, ele caiu sobre um dos joelhos. O sangue escorria farto por causa da adaga arremessada por Alef, que cravou-se bem atrás do joelho da criatura, onde sua armadura não o protegia.

Me adiantei e o golpeei na cabeça. Estava feito. A luta havia terminado e tínhamos saído vitoriosos. E, mais importante, tínhamos um orc vivo, do qual poderíamos extrair algumas informações.

Alef se uniu a mim e caminhamos em direção ao orc que eu havia atingido na perna. Ele grunhia e praguejava em seu idioma que nós não entendíamos. Apontava os dedos com garras em nossa direção e ali eu tive certeza de que estava sendo amaldiçoado e jurado de morte ou algo assim.

Extraímos poucas informações da criatura, mas uma delas nos assustou. A tropa orc contava com três mil componentes. O orc olhou nossos rostos ao dizer isso e percebi que se deliciava com nosso temor. Maldito.

Quando estava pensando no que faríamos com o orc, Alef golpeou a garganta da criatura com sua adaga. Ele acabou fazendo o que eu achava que o monstro merecia, mas o que eu achava que não era certo.

No final das contas, colocamos fogo na carroça deles e soltamos o búfalo. Pilhamos suas armas e armaduras e colocamos em nossa carroça. Precisávamos chegar rápido em Ibelin.

Arlia não resistiria sozinha à um exército de três mil.

Continua...

terça-feira, 1 de março de 2011

Resenha - Dead Space




Olá pessoal!

Então meus caros, nessa minha nova onda de estagiário assalariado (mesmo que com atrasos e tudo o mais) sobrou um tempo para, além de estudar como se não houvesse amanhã e me esforçar para escrever um projeto semanal e outros três projetos de longo prazo, jogar um novo game.

Na verdade, acho que jogar games é a minha forma de dar uma relaxada e manter a sanidade, rs.

Logo, estava eu, após finalizar inFamous, um tanto quanto órfão, aguardando ansiosamente os lançamentos de 2011, quando finalmente o encontrei, depois de tanta espera!

Dead Space 2!!!



Comprei logo, fiquei maluco, instalei no PC e delirei logo nos primeiros minutos de jogo. Eu curto tanto essa franquia que resolvi resenhar aqui, como fiz com inFamous, e recomendar pra galera!

O primeiro Dead Space foi lançado em 2008, pela EA. A empresa não era amplamente conhecida por games no estilo survival horror, então de início muitas pessoas não levaram fé no jogo.



De cara, uma característica bastante inovadora: a falta de hud's na tela. Não havia a famosa barra de energia no canto inferior esquerdo ou o contador de munição no canto superior direito. Todos as informações necessárias estavam integradas ao jogo, como parte do cenário e da história em si. No traje do protagonista (e de outros personagens também) uma barra luminosa sobre a coluna indica o status de saúde. Quando o protagonista faz mira com sua arma, um pequeno led holográfico se faz presente ao lado da arma para que ele (sim, ele, e não você jogador) saiba quanto lhe resta de munição.



A idéia dos hud's integrados à história e ao cenário dá uma grande veracidade e imersão, além de te dar a sensação, por várias vezes, de estar vendo um filme, e não jogando um jogo.

Outro ponto que achei bastante positivo é a idéia de que o protagonista não é um fuzileiro-naval-forças-especiais-super-treinado-elite e sim um engenheiro. Particularmente eu gosto de jogos no estilo surviving horror, mas em uma das minhas séries favoritas, Resident Evil, os protagonistas são tão bem armados e treinados que eu sempre costumo dizer "é surviving horror para os zumbis".

Outros jogos já exploraram protagonistas não treinados, devo dizer. Silent Hill e o próprio Resident Evil Outbreak exploram esse ponto, mas isso não faz Dead Space ficar para trás.

A história se desenrola quando a nave mineradora de planetas USG Ishimura perde suas comunicações. Uma equipe é enviada para restaurar os sistemas e investigar o ocorrido e, entre eles, está Isaac Clarke, um engenheiro que se voluntariou para a missão ao receber um vídeo de Nicole, sua namorada, que é a médica abordo da Ishimura.

O jogo contém muita ação e suspense, e muitos sustos! Sério, as situações alucinantes e criaturas grotescas abordo fizeram por muitas vezes meus cabelos ficarem em pé!

Não vou dar spoiler sobre a história, afinal, se tivessem me contado tudo, várias situações não teriam sido tão fodásticas.

Entre o lançamento do primeiro e do segundo jogo, ainda foram lançados duas animações: Downfall e Aftermath. O primeiro se passa antes do primeiro jogo, e conta como a nave ficou no estado em que se encontrava quando Isaac chegou. O segundo se passa três anos após o primeiro jogo e algumas semanas antes da continuação. Recomendo para todos, é irado e explica muita coisa sobre a história em si.



Mas vejam os filmes DEPOIS de finalizar os jogos, sim?

E, finalmente, nesse ano abençoado de 2011, saiu Dead Space 2. O jogo já começa mantendo o ritmo alucinante, e as criaturas grotescas estão agora duas vezes piores. Mais velozes, com ataques inovadores e bem mais nojentos. Tem tudo pra ser outro jogo de arrepiar.

Quando abri a caixa, ainda um bônus bem legal. Quando você compra o jogo, dentro vem um encarte com um código. Esse código é para ser colocado em sua conta EA e permite que, quando você for jogar Dragon Age 2 (outro jogo irado que logo, logo estarei falando aqui também) você utilize o código e use uma armadura medieval baseada no traje de Isaac. Achei irado e estou apenas aguardando Dragon Age ansiosamente!



Mais um jogo que ainda não cheguei no final antes de fazer a resenha, por isso vou ficando por aqui. Espero que o final seja tão bom quanto o do primeiro, porque os rumores são de que um terceiro jogo será feito!

Dedos cruzados pra ser verdade!

Um grande abraço e até a próxima batalha.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Aprendiz de Ferreiro - Capítulo 2



Olá pessoal!

Novamente, com minha série midseason. Espero que gostem. Hoje não tem desenhos ou imagens novas, porque eu estou preparando um especial para o próximo capítulo. Aguardem um pouquinho que eu acho que vai ser legal!

Sem mais delongas, fiquem com o capítulo 2!

Um grande abraço e até a próxima batalha!

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A garota se chamava Adrianna. Eu e meu irmão elfo havíamos acabado de afugentar uma criatura simiesca e feroz que tinha encurralado a menina em uma clareira na mata. Caminhei até a jovem, que mal conseguia ficar de pé, tamanho o seu medo e, com a mão livre, ajudei-a a se levantar.

Foi então que meu irmão resolveu se aproveitar do meu travamento frente aos membros do sexo oposto para se divertir naquela tarde, logo após a luta contra a criatura.

-Ó bela donzela, contemple o seu salvador - bradou Alef enquanto fazia movimentos com as mãos no ar, me lembrando um menestrel.

Apontou então para mim, segurando meu braço da espada pelo pulso e o erguendo. Na hora fiquei tão sem jeito que nem reagi.

-Darian de Ibelin! Seu salvador ao seu dispor, nobre donzela!

Continuei calado e como que petrificado. Não nasci com o dom de manter meia dúzia de palavras com o sexo oposto. Simplesmente não possuo a naturalidade de conversar com elas e conquistá-las. Até penso em coisas interessantes de se dizer, mas... travo. Simples assim.

A jovem abriu um sorriso. Dias depois me confessou que achou hilárias as cabriolagens de meu irmão, em contraste com a minha expressão de estátua. Logo depois de sorrir, a menina atirou-se em meus braços e fui obrigado a abraçá-la para não deixar que caísse. Meu irmão, imediatamente, deu a volta, ficando de frente pra mim, uns dois metros atrás da garota. Eu tenho vontade de matá-lo até hoje, por causa das expressões e gestos embaraçosos que ele fez.

Depois que a jovem conseguiu se recompor, já não necessitando mais de meu auxílio para ficar de pé, perguntamos a ela seu nome, de onde era, o que fazia por aquelas bandas e se estava ferida.

-Me chamo Adrianna Thorn. Sou filha de Cletus Thorn, o ferreiro da cidade de Arlia. Estamos sendo constantemente atacados por orcs... é terrível... eu decidi, sozinha, ir buscar ajuda, mas não consegui ir muito longe. fui atacada por aquela criatura que vocês espantaram. Obrigada... eu estaria morta não fosse por vocês.

Ela falou tudo aquilo rápido demais. Então Arlia estava sendo atacada por orcs. Fazia sentido agora uma parte de nossa viagem. "A milícia de Arlia está tendo problemas. Estão com muitas armas e armaduras danificadas" dissera meu pai. Perguntei-me se ele já sabia do que estava se passando. A jovem decidira buscar ajuda sozinha... o que poderia estar havendo para que Arlia não estivesse mandando mensageiros aos quatro ventos em busca de auxílio... a não ser que eles estivessem sendo seguidos e mortos ou capturados.

Nos apresentamos, Alef e eu, e nos oferecemos para levá-la de volta para Arlia. Quando voltamos à carroça, agora com Adrianna sentada entre meu irmão e eu, na boléia, dei velocidade à nossa viagem. Queria chegar logo e ver em que estado se encontrava a cidade. Uma idéia começava a se delinear na minha mente, mas eu não havia dado à ela todos os contornos.

Depois de mais algumas poucas horas de viagem fomos todos capazes de divisar a cidade no horizonte. Arlia era uma cidade quase do tamanho de Ibelin, mas muito menos protegida. Sua muralha estava danificada e, sendo a cidade na forma de uma letra "L", apenas a perna mais curta era guardada pelos muros. A maior parte da cidade contava apenas com paliçadas em pontos esparsos. Os soldados que faziam guarda em uma das entradas de Arlia estavam abatidos, em nada lembravam a imponência dos guardas de minha cidade. Quando passamos por eles, pareceram reconhecer Adrianna, espantados. Acho que não acreditavam que ela sobreviveria.

Adentramos a praça principal da cidade. O cenário era aterrador. Pedintes e feridos se arrastavam pelas ruas. Soldados se mostravam em estado de tensão máxima, mas pouco armados e com peças de armaduras mal cuidadas. Estacionei a carroça ao lado da casa de pedra onde o ferreiro local se instalara.

Descemos e adentramos o local, sendo recebidos por uma senhora aos prantos. Abraçou Adrianna e não parou de chorar por um bom tempo. Aquela era Arlanna Thorn, sua mãe. Cletus, o ferreiro, se adiantou e nos agradeceu por ter trazido a menina de volta para casa. Nos ofereceram um jantar, ao qual Alef não pensou duas vezes em aceitar.

Durante o jantar, fomos informados do que estava acontecendo. Cletus disse que, aproximadamente, de quinze em quinze dias, a cidade era alvo dos ataques de uma tropa de orcs. Achei estranho orcs tão organizados assim, em Sépala. É verdade que, nas ilhas do leste, os orcs são tão organizados que possuem um território próprio e um reino reconhecido, mas sempre achei que os outros orcs eram selvagens e errantes. Mais uma coisa que eu aprenderia da forma mais difícil.

-Então rapazes, é isso. Faz meses que estamos sendo atacados. Nossos mensageiros são mortos nos arredores. Os orcs estão minguando nossas forças cada vez mais e, para ser honesto, não acredito que resistiremos à próxima investida.

O senhor Cletus era um homem forte, alto, tinha os cabelos ruivos e o olho verde. Não possuía o olho esquerdo, tendo no lugar dele uma cicatriz originária de um corte que se iniciou próximo do seu couro cabeludo e o rasgou até o queixo. Me pareceu estranho um homem imponente daqueles ter tanto medo em sua voz.

Tínhamos que fazer alguma coisa. Olhei para Alef e ele tinha uma expressão séria em seu rosto. No seu íntimo concordava comigo.

-Senhor Cletus, vim mandado por meu pai, Bastian Ennabar. Devo levar as armaduras e armas para minha cidade, para serem consertadas o mais rápido possível. Além disso, preciso de aproximadamente cinquenta quilos de ferro bruto.

Ele me olhou e assentiu, agradecido.

-Outra coisa senhor, quando será o próximo ataque?

Cletus franziu a testa por um momento antes de responder.

-Daqui a quatorze dias.

Assenti.

-Entendo. Bom, são dois dias para ir, dois dias para voltar. Mais dois dias para os reparos. Sobram-nos oito dias.

Ergui-me.

-Senhor, eu e Alef partiremos imediatamente. Faremos os reparos o mais rápido possível e retornaremos com auxílio de parte da guarda de Ibelin. Arlia sempre foi uma cidade aliada, não deixaremos que nada de mal lhes aconteça. Por favor, enquanto estivermos fora, providencie para que mais paliçadas sejam construídas. E estoque óleo. Talvez eu tenha um plano.

Nos retiramos da cabana do homem, que pareceu um tanto quanto confuso por um instante. Acho que é assim que as pessoas sem esperança ficam quando uma fagulha lhes é acesa novamente. Ficou parados apenas alguns segundos antes de assentir. Eu sabia, dentro de mim, que podíamos salvar aquela cidade. Teríamos apenas que ser rápidos.

-Então você resolveu ser herói agora, Darian? Sabe, eu sempre achei que isso combinaria mais com você do que os bastidores.

Alef sorriu enquanto subia na carroça, agora carregada com os equipamentos danificados da milícia de Arlia, bem como com mais de sessenta quilos de ferro.

Olhei para ele enquanto subia. Sorri.

-Nunca pensei em ser herói, Alef, mas essa cidade precisa de heróis. Então, enquanto eles não aparecem, nós vamos ter que bastar!

Acelerei a carroça como nunca antes havia feito. Era como se tropas orcs estivessem em nosso encalço.

Mal sabia eu que realmente estavam.

Continua...

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Rotinas de Aprendiz



Olá pessoal!

Em primeiro lugar: Finalizei inFamous!!! Caraca, que história genial! Achei muito boa, bem construída e irada! O carinho pelo jogo, pelo personagem principal e pelos coadjuvantes cresceu muito! O ódio pelo vilão tornou-se gigante! E, no fim, a vontade de jogar inFamous 2 surgiu arrebatadora! Tomara que seja tão bom ou melhor que o primeiro!!!



A Sucker Punch, empresa responsável pelo jogo, já liberou algumas imagens, vídeos de gameplay e novidades, principalmente sobre o sistema de escolhas morais. Antes, Cole pensava sobre suas opções, em determinados momentos. Agora duas NPC's darão uma de "anjinho e diabinho nos ombros", tentando levar o herói para o bom ou para o mau caminho. Deve ser irado!



Os leitores devem ter reparado que agora o banner do blog mudou (evoluiu, eu diria!). Esse era o projeto, desde o início do ano, quando o blog foi idealizado. Mas, como ainda não estava pronto, resolvi colocar o blog no ar de qualquer forma, para dar início aos "trabalhos" de 2011.

Tenho que agradecer de forma gigante ao Rafero Oliveira, um de meus Melhores Amigos, rival pessoal e blogueiro à frente do Sub Ghadernal! Foi dele a maior parte do trabalho, afinal!

A idéia veio com o nome do blog. As "Crônicas de um Guerreiro Aprendiz" teriam como símbolo um... ahn... guerreiro aprendiz! Estava eu no meu quarto da casa de Angra quando vi um concept art do jogo Drakengard 2, para PS2. Achei a imagem foda, dois aprendizes de uma ordem de cavaleiros, irado!



Inspirei-me totalmente no concept para criar a roupagem do meu guerreiro aprendiz. Ele também teria que ter uma certa referência ao autor que vos escreve, logo eu coloquei nele um cabelo ruim e idealizei-o com a pele morena.



Para dar a idéia de que, apesar de um simples aprendiz, ele teria um futuro de valor e o talento dentro de si, construí da idéia de sua sombra na parede refletir um cavaleiro de armadura, imponente sendo, ao mesmo tempo, um guia e guarda do aprendiz, assim como seu próprio futuro. Dessa forma surgiu a figura.

Faltava agora colorir e arte finalizar. Foi então que meu grande camarada Rafero veio em meu auxílio. Mandei o original digitalizado pra ele, e o cara me manda não um trabalho pronto, mas TRÊS (tudo bem que um foi zuado né Rafero, rsrsrs)!!!

Curtam então os resultados abaixo (inclusive as versões zuadas).


































































Rafero, muito obrigado cara. É muito bom poder contar com um companheiro de batalhas como você! Depois a gente faz uma postagem com o seu depoimento sobre chorar sangue e idealizar o guerreiro sem calças!

Abraços a todos e até a próxima batalha!!

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Aprendiz de Ferreiro - Capítulo 1



Olá Pessoal!

Cá estou eu, de novo e como prometido, para mais um capítulo dessa que está sendo a minha produção literária "Midseason" do momento! Hoje me aprofundando nas raízes familiares do protagonista, bem como apresentando mais um personagem importante para a história.

Gostaria de apontar duas coisas, sobre as imagens dos personagens em questão. A primeira é sobre Bastian, pai do protagonista. Ele foi inspirado no Gouken, mestre do Ryu e do Ken, do jogo Street Fighter (Ok, eu sei que quase todo mundo sabe quem são Ryu e Ken, mas eu tenho que explicar, de qualquer forma).



Já o irmão em questão era o personagem de outro jogador da mesa. Completamente baseado no Ezio, de Assassin's Creed II (na época o jogador estava totalmente viciado no game). Sua personalidade já é totalmente diferente da do protagonista, mas isso vai ficando claro à medida que a história vai avançando. Eu acho muito maneiro isso de, na aventura, ter como companheiro de mesa um personagem bem diferente. Surgem várias paradas interessantes, ao meu ver. Melhor do que uma mesa com todo mundo igual.



Um adendo: os nomes dos irmãos mais velhos e da mãe de Darian foram uma homenagem ao livro "A Batalha do Apocalipse" de Eduardo Spohr. Como RPG não tem direitos autorais, eu escolhi esses nomes para a família do personagem (quando eu criei Darian tinha acabado de ler o livro). Resolvi manter a homenagem aqui.

Enfim, fiquem agora com o conto!

Um grande abraço e até a próxima batalha!

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Normalmente o sétimo dia da semana é meu dia de folga. Daquela vez não foi. Meu pai tinha me incumbido de viajar até a cidade de Arlia, para buscar as armas e armaduras danificadas da milícia local para serem consertadas. Além disso, ele me entregou uma sacola com cem brennans de ouro, para comprar algumas arrobas de ferro bruto, material para os reparos.

Acordei cedo, como sempre. Me lavei ao lado do poço e vesti minhas roupas. Por cima da camisa, minha loriga de couro. No cinto, a pistola de pólvora negra. Caminhei até o estábulo, indo até a carroça, que já estava preparada para a viagem. Na boléia, sob o local onde ficariam os pés do auriga, deitei a espada de madeira. Tinha um certo mau pressentimento sobre aquela viagem, mas não sabia dizer exatamente o que era. Talvez fosse nervosismo por ser minha primeira viagem sozinho.

Já ia conduzindo a carroça quando percebi que meu pai me esperava na porteira de nossa propriedade. Ele tinha um aspecto severo. Era bem alto e seus músculos, devido ao ofício de ferreiro, eram grandes e potentes. Tinha orgulho do meu pai e sempre achei que ele sabia disso. Em parte, minha vontade de superá-lo na forja era nada mais que o desejo de um filho de ser digno do orgulho de seu pai.

-Cuidado na estrada filho. Apesar de ser um caminho seguro tenho escutado notícias sobre salteadores. Penso que você deveria levar seu irmão.

Estaquei. Por um momento franzi a testa, tenho certeza. A perspectiva de levar meu "irmão" nessa viagem era, no mínimo, intrigante. Explico. Minha família foi formada quando meu pai, Bastian, desposou minha mãe, Ishtar. Juntos eles tiveram cinco filhos. Minha irmã mais velha, Sieme, casou-se com um nobre de Alancar e mudou-se para lá. Meu irmão mais velho, Hazai, alistou-se cedo no exército do reino, tornando-se um capitão de Britannia. Meus irmãos mais novos eram dois gêmeos, Yan e Sarkan. Muito inteligentes, apesar da pouca idade, estavam estudando sob a tutela de meu antigo mentor, Robert Braunwald.

No entanto, meu pai não se referia a nenhum desses irmãos. Cinco anos antes daquele dia, surgira em Ibelin um jovem elfo desgarrado. Foi capturado pela guarda da cidade praticando furtos. Na época estava bastante emagrecido e bastante fraco. Por algum motivo, na época pensei em piedade, meu pai tomou o jovem elfo sob sua tutela. Tempos depois vi que não foi pena. Meu velho tinha um bom olho para perceber o potencial das pessoas. Ele viu, naquele elfo, uma pessoa de valor e o agregou a família. Anos depois eu já o chamava de irmão, e ele, em nossa casa, era tratado como tal.

Só que ele era um pouco... indisciplinado, seria a melhor palavra. Dedicava-se como poucos aos seus estudos e práticas de suas habilidades. Conseguia ser furtivo como ninguém, além de ter uma habilidade inata com fechaduras e armadilhas. Tinha também uma mira excelente, arremessando facas e adagas com precisão absurda.

Ele só tinha um fraco, eu diria, pelo sexo oposto. Em cinco anos eu perdi a conta dos pequenos escândalos que meu irmão arrumou com as filhas de nobres, plebéias, serviçais, viajantes e todo o tipo de mulheres que eu consigo lembrar e nomear. Por vezes maridos traídos e jovens apaixonados tentaram esganar meu irmão. Todas as vezes eu me envolvi, defendendo-o. Consegui com isso uma costela quebrada quando ele se engraçou com a filha do taverneiro, um militar veterano aposentado.

E agora ele viajaria comigo. Talvez meu pressentimento fosse isso, afinal. Abri um sorriso. Ele arrumava das suas, mas a verdade era que gostava bastante de sua companhia e de seu humor despreocupado. Foi sem surpresa alguma que notei que ele já aguardava próximo à porteira, sentado sobre uma árvore. Eu não o tinha notado antes e, provavelmente, o notara agora porque ele assim quisera. Ele realmente era bom nisso de passar desapercebido.

Ele desceu da árvore com agilidade e caminhou a largos passos até sentar-se ao meu lado no coche. Com um largo sorriso no rosto, puxou seu capuz para trás, expondo a face. Tinha traços longilíneos e um nariz reto. Cabelos e olhos negros, além das tão características orelhas pontudas élficas. Trajava roupas brancas e vermelhas, com botas pretas. Facilmente reconhecível, ele sempre dizia.

-Então irmãozinho, - ele disse - o pai diz que você precisa de uma ajudinha na viagem. Cá estou eu, seus problemas já não existem mais.

Puxou então o capuz cobrindo o rosto até deixar apenas a boca exposta.

-Logo, guie suavemente sim, pois eu preciso de um pouco de descanso - falou, se recostando no banco.

Não pude deixar de sorrir com o canto dos lábios. Esse era Alef, meu irmão elfo. Sempre irreverente.

Fiz um aceno de cabeça para meu pai e conduzi a carroça até a estrada. O cavalo era um robusto garanhão de carga marrom e atravessava sem problemas a estrada irregular e enlameada em alguns pontos. Havia chovido há um ou dois dias atrás e alguns atoleiros traiçoeiros poderiam atrasar nossa viagem, então eu estava bastante atento à estrada.

Talvez tenha sido essa atenção por causa da chuva que tudo aquilo aconteceu. Passávamos por um trecho da estrada que cortava uma floresta não muito densa. Entre as árvores o mato cobria os tornozelos. As árvores frondosas tinham as folhas alaranjadas, denunciando o início do outono. Alef lia um pesado livro com capa de couro curtido e tinha a expressão compenetrada. Eu prestava atenção nos atoleiros e nos barulhos da mata, enquanto o Sol se aproximava do poente, tão laranja no firmamento quanto as folhas das árvores.

Foi então que ouvi um grito de mulher, vindo de dentro da mata. Olhei imediatamente para Alef, mas ele não parecia ter notado. Cutuquei-o com o cotovelo, tirando-o de seu estado concentrado. Foi então que um segundo grito se fez ouvir. Um grito de socorro. Descemos da carroça com um salto. Alef seguiu na frente, mais rápido que eu. Empunhei a espada de madeira e o segui de perto.

Corremos por entre as árvores e chegamos até uma clareira na mata. Ali uma jovem de uns dezesseis ou dezessete anos era encurralada contra um grande carvalho. Ameaçando-a, um animal que eu nunca antes havia visto naquelas paragens. Tinha aproximadamente dois metros de altura. Era humanóide, com o corpo coberto de espessa pelagem castanha. Os dentes eram grandes presas e suas mãos eram grandes de forma algo desproporcional, assim como seus braços, o que fazia que o ser andasse de quatro e ainda assim fosse mais alto que eu ou Alef.

-Ei, seu gorilão, vem pegar alguém do seu tamanho!

Era Alef bradando em alto e bom som. Até hoje acho que ele só fez isso para chamar a atenção da garota e não da criatura. Logo depois de berrar, meu irmão lançou uma adaga curta em direção a coxa do bicho, que urrou de dor, seu sangue escuro e espesso manchando o mato.

-Obrigado por estragar o elemento surpresa!!!

E, com esse grito de guerra não usual, parti para cima da criatura, empunhando a espada com as duas mãos. Girei a espada em um golpe horizontal que acertou a criatura bem no meio do tórax. Ouvi um barulho similar a um galho grosso se quebrando, e a criatura novamente urrou, agitando os braços compridos. Me interpus entre o golpe e a menina, aparando-o com a espada. Sorri quando percebi que a madeira tolerou o golpe sem lascar.

O animal, ainda urrando, fugiu pela mata, deixando um pequeno rastro sanguinolento. Alef se aproximou de mim, com um sorriso enorme no rosto, seu capuz abaixado. Olhou atentamente para a donzela que havíamos acabado de salvar. Era uma jovem de cabelos ruivos, olhos verdes e a pele branca com sardas esparsas nas maças do rosto e... bem... no espaço visível pelo decote de seu vestido azul-claro. Era bonita, e, nesse momento, eu previ mais um dos pequenos escândalos envolvendo meu irmão.

Eu não podia estar mais enganado. Aquela jovem iria ter um papel importante no meu futuro.

Continua...